quarta-feira, 30 de maio de 2012

POBRE TERCEIRA REPÚBLICA!

Dias atrás foram o Cesar Peluso e o Joaquim Barbosa lavando roupa suja na janela.
Agora, é o Gilmar Mendes destemperado, agindo como fera acuada (para um interlocutor -- ou espectador, que é a única posição permitida a nós cidadãos nesta ré-pública -- inteligente não há nada menos convincente do que o exagero num bom argumento). Quem não deve não age desse jeito.

Concordo com a opinião do meu deputado na Gazeta do Povo:

[Mesmo ressalvando que não baterá boca com Mendes, o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT, achou “estranha” a versão do magistrado sobre o encontro. “Por que Lula iria falar com um ministro que foi indicado pelo PSDB e não com os oito que ele indicou?”, questionou. “E por que Mendes só divulgou essa conversa um mês depois, às vésperas do depoimento de Demóstenes Torres no Conselho de Ética?”]

Acrescente-se a estas dúvidas mais algumas.

Por que a manifestação tardia do ministro saiu na Veja, revista que só não está atolada até o pescoço na lama do Cachoeira porque revista não tem pescoço?

E por que a grande imprensa repercute tanto as falas do ministro, se as outras duas pessoas que estavam com ele na sala desmentem o que ele diz?

Mais, e o laudo do perito Mauro Nadvorny concluindo que o ministro mentiu em sua desequilibrada entrevista supostamente denunciativa, por que foi abandonado na versão escrita da Folha?

E depois, para um ministro da mais alta corte do país, chamar de bandidos investigadores que o flagraram nu, atirar contra um país que mantém laços diplomáticos e comerciais com o Brasil, como é a Venezuela, não estaria a demonstrar uma destas três coisas, senão todas: um desprezo muito grande pelas instituições que o sustentam, uma intenção golpista, ou um sofrimento mental que está a solicitar ajuda profissional?

Enfim, com esse judiciário nós, indefesos cidadãos, estamos, como dizia o Chico Anísio, nas mãos de Deus... e Ele treme!

sábado, 26 de maio de 2012

Repetindo a foto do "palmito galhado".



Palmeira juçara, em minha chácara, na rive gauche do Rio Cachoeira. Fenômeno teratológico ou mutação?

domingo, 13 de maio de 2012

A JUSTIÇA DOS SONHOS!

Esta semana a justiça brasileira se superou:
deu uma liminar de fechamento da Caixa Econômica,
e outra liminar de abertura da boate Kalahari.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

MIA COUTO

Mia Couto, que delícia!
De início temi pela ousadia: retrazer Rosa tão intenso... vai aguentar?
Depois vi que não é pastiche. É a mesma musa-alma da poesia em prosa, fluente como as águas do Chico ou do Jequitinhonha, que voou corajosa desde a banda oeste do Atlântico até o calor do Índico, encontrando os mesmos sertanejos nas mesmas e intermináveis guerras, sempre prelúdios de paz interna, calmante, serenidade de vida...

Mia Couto reforça minha convicção de que no universo lusofônico se produz filosofia na literatura: e tão profunda quanto despretensiosa.

Como é rica e fecunda a literatura de língua portuguesa: sempre nos surpreendendo com o novo remoçado e o velho renovado no dínamo da atemporalidade.
Eu parei na metade a leitura do Mia Couto, a modo de ir fruindo devagar, deixando um pedaço prá mais tarde, na fé de não acabar nunca.
Como fazia na infância, com o trocado do primeiro sapato engraxado abordava a mulher da cesta e comprava uma suculenta geléia de mocotó e comia metade guardando o resto prá comer aos pedacinhos a fim que a gostosura durasse na boca a manhã toda.

ESTÓRIAS ABENSONHADAS
Mia Couto
Companhia das Letras