quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

FORMAÇÃO X REPRESSÃO

Nosso país contrata dois jovens formados pela universidade: um, na área da educação (geralmente com pós-formação); outro, na área do direito. Ao primeiro, paga R$415,00 por mês para formar bons caráteres. Ao segundo, paga R$22.500,00 por mês para punir maus caráteres. Podemos sonhar com um bom futuro enquanto estivermos investindo na repressão 50 vezes mais (!) do que na formação?

Hoje mesmo a imprensa noticia que o Congresso, pressionado pelo lobby correspondente, vai votar um projeto equiparando o salário dos delegados ao dos promotores, aumentando consideravelmente a despesa nacional. Deveria ser ao contrário: equiparar o salário dos promotores ao dos delegados. Mais: deveriam equiparar o salário dessas duas categorias ao dos professores!

Só há um projeto, ou decreto, ou seja que diabo for, que poderá salvar o nosso país, retirando-o dos indecentes níveis de criminalidade e candidatando-o à civilização; e, esse decreto seria:

Todos os servidores públicos do país, de qualquer categoria, em qualquer nível, em qualquer dos poderes, seja ou não alcunhado de "autoridade", terão como teto salarial o salário do professor primário!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

SERES FANTÁSTICOS

É, tenho muito o que observar: esposa, filhas, nora, neta, amigas, conhecidas, anônimas, celebridades... Se Deus acertou na medida, foi quando fez a mulher.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O CONTRATO

A escravidão foi decorrente de um contrato espúrio entre Deus e Mamom.
Disse Mamom: - "Vou à África, comprar gente; mas, preciso só dos corpos, dou-te as almas.
Respondeu Deus: - "Combinado; dá-me as almas e eu te justifico os corpos".

Se não foram Deus e Mamom, foram seus representantes na terra. E, afinal, somos responsáveis pelos nossos representantes; por destituí-los quando nos contrariam. A não ser que não o possamos. Poderá Deus tudo? Bem, dizem que "a voz do povo é a voz de Deus"; nesse caso, um e outro se confundem. Assim, talvez não pudesse Deus naquele tampo, tal como não pode o povo hoje, controlar seus procuradores. Mas, aí já entra em teologia e...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

MUDANÇA DE CARGO

A Polícia Federal afastou o Delegado Protógenes do Departamento de Inteligência.
Na certa, foi colocado no Departamento de Burrice!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ENFIM, DESCOBRE-SE A FONTE DA JUVENTUDE!

Lembram daquela piadinha de que entrevistavam a mulher de 120 anos e perguntaram como ela fez prá chegar nessa idade? -"Acho que foi porque parei de fumar", ela disse. -"Quando?", perguntou o reporter. -"Acho que foi quando fiz 110!" Pois é, era verdade. Deu no site da Folha de hoje: um povoado no Equador com a maior proporção de centenários. Vale a pena dividir a informação:

Don José Medina parou de beber aos 106. De vez em quando, ainda toma "um puro" (aguardente), mas não mais de um por dia (!). Fuma, mas muito menos do que quando "era jovem" --ali pelos 70 anos. Aos 112, não conseguiu largar o chamico, cigarro feito com uma erva alucinógena.
Medina vive em Vilcabamba, um povoado com cerca de 4.000 habitantes no interior do Equador (650 km ao sul da capital, Quito). As condições sanitárias do local são um desastre --na maioria das casas, não há esgoto nem água encanada. Seus habitantes fumam, bebem álcool, comem muito sal, tomam muito café, usam drogas. E são um dos povos com maior proporção de pessoas centenárias no mundo --cerca de dez vezes mais do que a média. Centenários e saudáveis.
Por ali, é comum encontrar idosos de 110, 120 anos. Lêem sem óculos, conservam os dentes originais. A maioria ainda trabalha e tem vida sexual ativa. Os cabelos ficam brancos quando chega a idade, mas depois voltam à cor natural, sem explicação. E, ao contrário da maioria dos lugares do mundo, os homens vivem mais do que as mulheres.
"Alguma coisa estranha acontece em Vilcabamba", diz o médico e escritor argentino Ricardo Coler, um entre tantos profissionais que foram à cidade em busca de uma explicação. Sobre o mistério, ele escreveu "Eterna Juventud - Vivir 120 Años" (editora Planeta, sem previsão de lançamento no Brasil), em que relata histórias como a de José Medina.
São várias as teorias que tentam explicar a longevidade saudável dos habitantes de Vilcabamba. Cientistas americanos afirmaram que era a composição da água que bebem. Franceses atribuíram o fato ao clima da região. Outros dizem que é o ar, a alimentação saudável à base de milho, batata, vegetais e pouca carne ou a vida tranqüila. Nenhuma explicação foi comprovada até hoje.
"Estudei a água de Vilcabamba, e sua composição se parece bastante com a água que se bebe em Buenos Aires", diz Coler, que também exclui a possibilidade de a longevidade ser genética. "Até os cachorros vivem mais, cerca de 25 anos. Ninguém descobriu a causa, senão já estaria rico."
Há também algumas teorias pseudocientíficas, que vinculam os efeitos benéficos de Vilcabamba à eletricidade no ar ou à possível presença de óvnis e extraterrestres.
Seja qual for a explicação, a fama de Vilcabamba atrai todo tipo de gente...
...chegam os multimilionários, os crentes, os políticos, os messiânicos. Vêm por esses 40 anos como antes se ia por ouro ao velho oeste ou por petróleo ao Oriente Médio
.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

HOSANAS A OBAMA!

Confesso que no começo eu tinha um pé atrás.
Preferia a Hilary, e desconfiava que a imprensa, podendo ser republicana, insensava o Obama para desbancá-la e, assim, derrotar mais facilmente um desconhecido na segunda etapa. Alguns, mais apressadinhos, chegaram a escrever que o Obama era o democrata preferido dos republicanos. Enganei-me; o cara tem valores próprios de montes. Mas, ainda preferia a Hilary; acho que era a vez de uma mulher.
Tanto festejam a vitória do Obama por ser negro. Eu não vejo diferença entre negro e branco. Qualquer item usado para definir um negro pode eventualmente aparecer num branco; e vice-versa. O que faz restar de diferença apenas a cor; só que, culturalmente, eu sou daltônico. Gosto tanto da tarantela quanto do samba; estudo com o mesmo prazer cerimonioso a mais judaica, ou oriental, das religiões, tanto quanto as de matriz africana. Conheço, pela observação isenta da história, quadros de sofrimentos de muitas diversas etnias; ora uma, ora outra. Assim como, identifico privilégios distribuídos para todas, em momentos diferentes. Portanto, nesse sentido as diferenças apresentadas não passam de bandeiras políticas usadas de acordo com as conveniências.
Já, com as diferenças entre homens e mulheres, não acontece o mesmo. São tantas - anatômicas, hormonais, humorais -, que parecemos duas raças distintas. Chegam a dizer que uns vieram de Marte e outras de Vênus, transportados, na certa, na cauda de um cometa cupidamente faceiro. O que, sem duvida, lhes dá pontos de vista diferentes. Daí que, pensava eu, era a hora dessa metade da humanidade ser mais representada nos governos. Em muitos lugares já o são. Citemos a Inglaterra, a Alemanha, a Argentina, e outros lugares. Mas, nas duas nações mais importantes do mundo - a maior potência e a maior impotência -, isto ainda não aconteceu - a não ser por efêmeras regências de uma princesa num passado remoto, nas terras da vera cruz. Era a hora da Hilary.
Apesar de que, dizem, seria reeleição. Pois não contavam, durante o governo Clinton, aquela piada de que os dois deram uma fugidinha e tiveram que parar num posto prá abastecer? O frentista cumprimentou tão efusivamente a Hilary que o Bill, enciumado, perguntou quem era o cara. "Um antigo namorado, do Hight School", ela disse. E ele: "Viu? Se você tivesse casado com ele, seria a esposa de um frentista; assim, você é a primeira-dama dos USA". Ao que ela respondeu: "Não. Se eu tivesse casado com ele, ele seria o presidente. Você seria um frentista!"
ATAQUE DO BEM-TE-VI

Viram na tv aquele bem-te-vi que ataca os transeuntes numa rua de Vitória? Só ataca os homens. Se fosse na Itália, na certa já estariam usando prá teste de virilidade!

domingo, 2 de novembro de 2008

(Quando o saudoso século vinte morria levando ao seu túmulo cem anos de ilusões e os homens pensavam ter chegado ao fim da história inconscientes de que a natureza estava com a palavra, eu escrevi isso aí, que aqui deixo prá que não seja esquecido sem ter sido conhecido...)

POESIA ARMADA
I
Caíram
as últimas
trincheiras.
Agora
a luta
é só
na poesia.
II
Poetar
entre colunas
de ferro, fumacentas
grades de uma prisão
voluntária.
Poesia
que viaja
no cheiro mórbido
das tochas
transformando ramos verdes
em braços magros
filamentos tristes.
Poetar
ao barulho das máquinas
em formulários frios
que medem produção e custo.
É possível fazer poesia?
Só mesmo poesia-luta
poesia-violência, poesia-raça
poesia engajada
poesia brava, poesia feia
poesia-mudança, talvez.
III
A luta
é pela liberdade
Todas as liberdades
Liberdade até
de Deus-peia
Prá se atar
A Deus-liberdade.

sábado, 4 de outubro de 2008

O QUE HOUVE COM O BRASIL?

Brasil.... Brasil... mas como é grande o meu Brasil!... Lembro da minha infância ouvindo a dupla sertaneja Tonico e Tinoco cantando isto. Lembro do nosso Brasil descuidado, por desnecessidade de cuidados; dos portões abertos; as cercas caídas, pois não precisavam ser levantadas. As crianças indo a pé e sozinhas prá escola. A fuga para as periferias, que naquele tempo era apenas um composto de paisagens bucólicas de casas simples e árvores frondosas, em busca da cachoeira. Havia molecagens (como não as houvera de haver, se éramos moleques); mas, eram inocentes; e acompanhadas de um temeroso respeito pelos adultos e seus flagrantes. A maior das molecagens, admito, perigosa, eram as bombas de retardo. Colocávamos um cigarro aceso na ponta de uma bombinha-de-são-joão, de regular tamanho, e corríamos para bem longe, até para nossas casas, outras vezes a sala de aula. Cinco a dez minutos depois ouvíamos o estampido na varanda de alguém, na borda da calçada, perto da diretoria, seguido das imprecações.
O que não imaginávamos, absortos em sonhar com a vida que parecia sorrir à nossa frente, é que as pessoas que lutavam e açambarcavam o poder em nosso Brasil, armavam uma grande bomba de retardo sobre nossas vidas e nossas cabeças. Era o desvio de verbas da educação para outros fins, criando uma massa de ignorantes dependentes de "direitos" e concessões; era o financiamento preferencial de grandes propriedades, expulsando as famílias do campo para a periferia das cidades. Tudo escamoteado por obras faraônicas, campanhas pirotécnicas de vacinação, edição de "estatutos" falaciosos, porque geralmente virtuais.
Lembro da minha juventude, quando já o processo de internacionalização do nosso capital (se é que alguma vez o tivemos) provocava intercâmbio de técnicos e executivos, para a montagem de industrias e equipamentos. Ao lado das boas risadas com os legisladores que propunham a cobrança do lateral com o pé, no futebol, ou a anexação da guiana francesa, criando problemas prá diplomacia, lembro de um fato alentador. Quando nossos técnicos eram enviados à europa (é bom lembrar que, naquele tempo, a europa terminava nos pirineus; os europeus ainda não haviam anexado a espanha e portugal, em busca de balneários; os ibéricos migravam para o Brasil, para enriquecer ou simplesmente alimentar suas famílias, e nem imaginavam que um dia iriam se dar ao luxo de barrar brasileiros em aeroportos), ficavam extasiados com a ordem e a limpeza daqueles redutos; escreviam ou contavam por telefone, entusiasmados, as benesses da civilização. Mas, não viam a hora de voltar para o Brasil. Para casa. Irritavam-se com qualquer prorrogação de sua missão. Já os estrangeiros que vinham para o Brasil, dentro dos mesmos projetos, não queriam mais ir embora. Causavam problemas para suas empresas com a insistência em cá permanecer, se estabelecer, residir, animados, talvez, com nossa liberdade, descontração, inocência, ou falta de ordem.
Nós, os pobres (que não éramos apenas negros, como hoje alguns teimam em dizer, mas, também branquinhos, descendentes de italianos, polacos, árabes ou alemães), nem pensávamos em emigrar, tendo à disposição um verdadeiro continente onde se falava a mesma língua. Não emigrávamos: apenas migrávamos internamente.
Tudo isto me vem à cabeça quando vejo na televisão um documentário francês sobre os garimpos ilegais na guiana francesa, e a abordagem de uma família de brasileiros clandestinos no meio da mata. Eu, que sentia um incômodo frio na espinha quando, antigamente, ouvia o poeta dizer que o Brasil poderia se tornar um imenso portugal, tive que ouvir o oficial da gendarmeria dizer que ia expulsar esses ilegais, porque não queria ver a guiana francesa se transformar num Brasil!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

AH, O BOM CIÚME!

A gente não consegue amar sem derivar para o exagero que gera o ciúme. E o ciúme causa uma série de males: constrangimento do ser amado; restrição no uso da coisa amada; afastamento de potenciais amantes do ser amado, ou usuários da coisa amada, que poderiam, em outras circunstâncias, serem nossos bons amigos. E por aí arrolaríamos uma série de inconvenientes do ciúme. E, no entanto, como tudo tem o seu lado bom, poderíamos ter o mesmo ciúme, ou pelo menos semelhante, de nossas idéias. Afinal, amamos nossas idéias. Mas, ao contrário das outras coisas amadas, ficamos a oferecê-las indecentemente e a querer compartilhá-las a toda força com outras pessoas, forçando uma promiscuidade que as vulgariza. Por que não termos ciúmes das nossas idéias? O mundo seria um lugar bem mais sossegado. O crente fanático, acariciando egoisticamente sua idéia de deus, e dissimulando: "não, Jesus nunca existiu; esse negócio de deus, céu, inferno, é pura lorota". O ateu militante, ao invés de escrever livros ou criar associações, disfarçaria pregando: "crede, meus irmãos; o reino de deus é vosso!" E todos viveriam felizes, amando até ao ciúme suas idéias, crendo na sua exclusividade e fidelidade, e pregando o contrário para afastar abusados que quisessem gozar com elas.
THE TEN COMMANDMENTS

Enfim, o Rio retorna aos tempos bíblicos:
lá, tal como no tempo de Moisés, a lei é ditada no morro!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

VAMOS AO VELÓRIO DO DIREITO INDIVIDUAL?

Sim, porque essa constituição ilegítima que nos outorgaram (desculpe a repetição) proíbe qualquer parente de prefeito, governador ou presidente, se candidatar a qualquer cargo eletivo na área de jurisdição. O filho adotivo do Lula não pode ser candidato a vereador em nenhum lugar do Brasil. Ele está cassado irremediavelmente, e, sem que tenha culpa alguma concorrendo prá isto. Mesmo se ele fosse contrário ao pai, mesmo se odiasse o pai, não poderia se candidatar. Está privado desse direito: não pode ter ideologia, não pode ter ideais, não pode ter idéia própria para implementar através do voto. Ele está condenado a pensar como o pai, e agir à sombra do pai. Tal qual nas mais primitivas sociedades patriarcais.
Por isso continuo dizendo: só as corporações que se beneficiam dessa aberração que é a constituição outorgada em 1988 a defendem. Ou melhor, defendem seus gordos salários fixados por eles próprios. Enchem a boca na hora do "ção", prá uma carta que não passa de "cinha"!
E o povo... ora, o povo? É um rebanho muito bem controlado pela corporação da mídia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

REALIDADE

Realidade seria tudo aquilo que tem condições de se apresentar a nós, sem a necessidade de ser evocado?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CADÊ AS ALGEMAS?

Esta é realmente uma notícia interessante. A polícia federal tanto investigou que prendeu seu próprio diretor, flagrado em tráfico de influência.
Já pensou se prosseguem por este caminho, levando a fundo todas as investigações?
Quem vai algemar o último?

sábado, 6 de setembro de 2008

MEMÓRIA

Nossa memória é completa: lembramos do bem e do mal.
Mas, é seletiva: lembramos muito mais do bem que fizemos, e do mal que nos fizeram;
do que do bem que nos fizeram, e do mal que fizemos.
Sendo espírito de ente humano, não fujo à regra. Por isso, peço perdão a quem fiz mal, e a Deus que os compense. E, agradeço a quem me fez o bem, e peço a Deus que os recompense.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

"VÁ PARA A CORTE"
Era sem dúvida o conselho mais cotado entre os pais durante quatro quintos da história do Brasil. Até que um dia, mudou: "vá para o exército", passaram a dizer. O país mudara de tutor: da família real e, depois, imperial, para as forças armadas, autores e avalistas do novo regime.
Os pais sempre querem um bom futuro para os filhos. Carreira segura e rendosa; que paire sobre o comum dos pobres mortais que lutam para conciliar receita e despesas. Carreira que não sofra as intempéries naturais do mercado; isto é, que seja sustentada por toda a sociedade. Compulsoriamente, claro.
Qual seria o conselho de hoje? Quais seriam as profissões ou carreiras onde os filhos teriam a garantia de um futuro tranqüilo? Seria na importante área da produção de alimentos? Ou na construção civil? Seria na produção industrial? Ou na medicina?
Após um brevíssimo período - no qual muitos pais se enganaram receitando um "vá para a política" -, sem dúvida, de alguns anos para cá, todos sabemos quais são as carreiras mais desejadas. Qualquer pai hoje exultaria se seu filho passasse num concurso para juiz ou promotor. Não é fácil; os concursos são preparados pelas próprias corporações. Mas, uma vez admitidos, podem contar com os maiores salários da sociedade, reajustados por eles mesmos, além de participarem de uma corporação que não se sujeita a nenhum controle pela sociedade (a não ser, claro, a lei; mas a lei, ora, interpreta-se!). Sucessores do poder monárquico e militar na tutela de uma sociedade que ainda não aprendeu a tutelar-se a si mesma, esses profissionais têm apenas uma preocupação - leve por sinal -, com alguns engraçadinhos da área de comunicações (e, às vezes, da área de interceptação de comunicações). Mas, tudo administrável.
Dizem que teria dito um pobre asteca a um nobre asteca, quando este o interpelou por estar se sujeitando muito facilmente ao espanhol conquistador: "O povo sempre esteve de cabeça baixa; assim, nem notou a troca de senhores". Vamos torcer para que a situação atual perdure por muito tempo ainda, pois, pelo andar da carruagem, podemos temer que o conselho predominante em breve seja: "vá para o tráfico"!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

USURPAÇÃO DE PODERES

O que mais me chateia nesse hábito novo em nossa história - do judiciário se meter a legislar, usurpando, assim, poderes do legislativo -, é que os danados legislam melhor que os legisladores. Assim foi na questão da pesquisa com células embrionárias; na questão das algemas; e, agora, o será novamente se proibirem essa excessiva exposição dos suspeitos. Vários países já adotam esse direito básico da pessoa humana: o de ser considerado culpado apenas após o julgamento. Mas, nossa polícia, nosso ministério público e nossa imprensa, submetem o país a risco de processos internacionais por ofensa aos direitos humanos, quando fazem espetáculo pirotécnico com presos ainda não julgados. Não vêem, os integrantes dessas poderosas corporações, que ao exibirem ostensivamente um suspeito, já o estão julgando e condenando. E, a uma pena muito maior do que o pobre cidadão poderia receber do judiciário; pois o ministério público, a polícia e a imprensa condenam-no, sem o julgamento formal, a ter perpetuamente prejudicada a sua imagem. E a imagem é indissociável do indivíduo.
Por isso observo pesaroso que o judicário legisla melhor que o legislativo, logo, estão usando seus poderes e habilidades muito melhor do que todos nós, pobres e desprezíveis cidadãos que elegemos o legislativo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ELEIÇÕES

Vieram me pedir votos para prefeito e vereador. E adianta? Essa eleição não vai resolver nosso maior problema, que é a opressão de um Estado que não serve mas, sim, se serve da população.
Dirão, por certo, que é pessimismo; e que eu olhe para a quantidade de serviços que o Estado oferece. Mas, são muito caros e de péssima qualidade; preços exorbitantes; e, sem opção, uma vez que impostos por uma constituição que não referendamos.

sábado, 9 de agosto de 2008

CADÊ A POLÍCIA?

Meu filho, um comerciante honesto, foi assaltado pela terceira vez, em seu comércio, pelos mesmos assaltantes. Ele, sua família, o empregado e o cliente ficaram presos no banheiro. Mas, não é só isso. Eram nove horas da noite e, o vigia da loja da frente viu a ação, ligou para a polícia, mas a polícia não socorreu... Os bandidos aterrorizaram quanto quiseram, fugiram num automóvel Tipo preto, levando documentos e a féria do dia; e a polícia não socorreu... Após a fuga, meu filho acionou o tal "botão do pânico", e a empresa de segurança veio; mas a polícia não socorreu... Uma hora depois, quando todos nós já estávamos lá dando-lhes apoio moral, a polícia chegou, anotando e reclamando, que nada podem fazer... Agora, o mais trágico, ou trágico-cômico: diversas viaturas da polícia passaram em frente à loja durante o assalto. Mas, não estavam ali para atender aos apelos do vigia da loja da frente. Estavam se dirigindo a local onde fariam uma blitz para garantir a lei seca! Sacaram? Enquanto duas crianças (sendo uma com menos de cinco anos), uma mulher grávida, e dois homens honestos e trabalhadores corriam perigo de vida nas mãos de facínoras armados, a polícia não pôde socorrer porque os homens que os impostos dos honestos trabalhadores sustentam para sua segurança estavam deslocados para fazerem blitz para prender bêbados no volante. Isto é o que se chama "descobrir um santo prá cobrir outro". E, claro, cobrem o santo que dá mais cartaz e exposição na mídia!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

JUÍZO, JUÍZES!

A semelhança entre juiz de direito e árbitro de futebol é que ambos, quanto mais aparecem no jogo, pior atuam.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

DIONÍSIO E APOLO

Se somos antes de ser; se temos categorias a priori; se somos uma centelha divina; se temos uma consciência prévia dada por Deus, lá no fundo e tal, esta verdade indemonstrável mas irrefutável, me indica que todo o saber é adquirido pela intuição, e a razão só lhe dá forma. Assim foi na fase inicial do conhecimento humano, e assim deve permanecer no desenvolvimento científico. A razão não é capaz de gerar novos conhecimentos, mas, simplesmente conformar o conhecimento intuitivo. É evidente; basta apenas observar que, quanto mais racional é uma pessoal, mais previsível ela é, e quanto mais intuitiva, mais criativa e genial. Isto não só porque a pessoa que se aferra apenas à razão se torna prisioneira da previsibilidade inerente a essa faculdade, mas, também, porque está fugindo à sua verdadeira natureza.
Viver é melhor que conhecer.
SER OU NÃO SER

Se você algum dia tomar para si
a angústia do dilema inglês
"ser ou não ser",
procure simplesmente "estar",
que é um "ser" provisório.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A COMUNICAÇÃO E OS VÍRUS

Quem vive sem comunicação? Para alguns é o mais básico dos instintos, pois, ao acordar pela manhã muita gente prefere alguma mídia, seja televisão, internet ou jornal, antes mesmo do café e o desjejum. Sem contar que a esta altura já deverá ter se comunicado com os seus, pessoalmente, num bom-dia cujo humor depende da noite anterior. Eu também, claro, gosto de me comunicar. Por isso provoco periodicamente o instinto: passo quinze ou vinte dias isolado num refúgio na Mata Atlântica, onde não há telefone fixo e nenhum celular alcança, logo, não há internet. Eu estava lá, no famigerado 11 de Setembro. Todo mundo na frente da televisão, assistindo ao vivo e em cores aos mouros atacando os atuais cruzados, e eu deitado numa rede na margem (esquerda, claro) de um rio que exibe suas límpidas águas em corredeiras e cachoeiras. E foi assim que me encontrou minha filha: não achando justo alguém que tanto gosta de história estar perdendo aquilo, foi até lá me avisar. Depois disso, instalei uma antena parabólica. A umidade da mata se encarregou de calá-la algum tempo depois. Na cidade é diferente: aqui tenho banda-larga, criei perfil no orkut, consegui montar este blog. Mas sempre tem os estraga-prazeres. E, na comunicação atual são os tais hackers, seja criando vírus, seja clonando perfis. O orkut eu abandonei: deletei meu perfil. A discussão era boa; conversava com gente de todo lugar e tal. Mas, de vez em quando, um debatedor inteligente, educado, cordial, virava o demônio: começava a ofender, escrever palavrões, ficava irreconhecível. Não passava um dia e aparecia seu perfil cheio de exclamações e maíúsculas indignadas, pedindo desculpas porque tinha sido clonado; não era ele o autor daquelas leviandades. Foi o alerta. E se clonam meu perfil quando estou na chácara? Até eu voltar, descobrir, sair pedindo desculpas, ninguém vai acreditar. Vão achar que fui eu mesmo o mal-educado. Deletei. Não adiantou: invadiram a caixa de e-mail. Talvez castigo por ter falado do Ronaldo outro dia, enviaram um arquivo com virus, tendo como isca uma história do Ronaldinho. Até eu recebi de mim mesmo. Por conta disto, tenho mesmo que pedir desculpas: a todas as vitimas de minha lista de contatos. De qualquer forma, fica a lição: não abram mensagens com piadas do Ronaldinho

quinta-feira, 26 de junho de 2008

EU TENHO UM SONHO

Um sonho de poder.
Meu sonho de poder
Era obrigar todas as autoridades,
De todos os poderes,
Em todos os níveis,
A colocarem seus filhos
Em escola pública.
Aos que já o fazem: meus parabéns!

Meu sonho de poder
Era obrigar todo juiz de direito
Estadual ou federal
A abastecer seus automóveis
Nos postos aos quais desse liminar
De reabertura,
Quando fechados por fraude.
Aos que já o fazem: meus parabéns!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

COMO SEMPRE

PParodiando uma frase do tempo da colônia, publicada na revista de História, da Biblioteca Nacional:

O Brasil vai mal porque as autoridades não querem nosso bem;
querem nossos bens!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A LÓGICA ATUAL

Certo, tenente; isso não se faz. Você não pode deixar o sangue subir à cabeça só porque uns jovens funqueiros o desacataram numa abordagem, e prendê-los. E você tem que obedecer seu capitão. Se o capitão, atrás da mesa, de cabeça mais fria, viu que não era nada e mandou soltar, solta! Não pode dizer "eu cágo prêste capitão!" Você já deve estar aprendendo agora que deus castiga quem "cága pro seu capitão". Outra coisa que você deve estar aprendendo também é que os traficantes do morro da mineira têm o direito líquido, certo e legítimo de matarem seus desafetos. Pelo menos é o que se depreende, e o que você aprende, das reações. Ninguém, nenhum político, congressista, jurista, oabista, mpesista, jornalista, ou seja lá que ista for, está condenando e pedindo a prisão dos assassinos dos três meninos do morro da providência. A própria polícia disse que não vai lá no morro da mineira procurar os assassinos. É como se eles fossem os lobos de um fosso onde os viquingues jogassem ingleses. Quem pensaria em condenar os lobos? Os assassinos, claro, eram os viquingues! Assim, os traficantes. A sociedade já dá como favas contadas seu direito de matarem os rivais. Homicida é quem solta moço de um morro no outro.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

ORÁCULO FALAZ


Quando estou navegando pela vida distraído,
é fácil acreditar que posso me conhecer;
afinal, eu sou o sujeito, e assim me identifico
em relação ao outro, o objeto; ou outros;
mas, se tento me conhecer, eu me torno objeto;
ainda que de mim mesmo;
e sendo objeto, eu sou o outro;
só que esse outro, que analisa o eu, é que sou eu!
então, toda vez que eu projeto um dado
de mim mesmo para análise,
isto já se torna objeto, já se torna outro,
e eu permaneço incólume, indevassado,
incognoscível; pois qualquer pensar sobre mim
me torna o outro que eu já não sou,
enquanto continuo sendo o eu que sempre flui.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

ONDE ANDA O BOM SELVAGEM?

Ferve a imprensa: índios ferem a facão engenheiro civil (civil nos dois sentidos) que expunha resultados técnicos; índios violentam funcionário em invasão de unidade da funai (o funcionário pensou em processar o governo mas recuou com medo da exposição; claro). O que está havendo com o bom selvagem tão decantado, de Rousseau a Villasboas? Além de violento é pervertido? Ficou assim, corrompido pelo branco; ou já havia razão de serem, os tapuias dos planaltos, odiados pelos gentis tupis do litoral? Será que já antes do descobrimento os tapuias não violentavam os tupis? De qualquer forma, está havendo um recrudescimento. E tudo indica que há instigantes. Povos que destruíram seu meio-ambiente arvoram-se no direito de dizer que não sabemos gerenciar o nosso. Como não sabemos gerenciá-lo, se ele, o nosso meio, está ainda aí sujeito a discussões, enquanto que o deles não existe nem em sombra do que já foi? Os brancos americanos massacraram os bravos das planícies. Mataram homens, mulheres, crianças e velhos. Praticavam tiro-ao-alvo nas crianças que corriam assustadas das aldeias invadidas: está em seus próprios livros de história. Agora, os descendentes desses criminosos instigam o nosso índio contra os "civilizados" brasileiros (brancos, negros e também índios aculturados); talvez para levar-nos a uma guerra (como ameaçou o caiapó, repetindo o que aprendeu com os gringos), e a guerra a um massacre que não os deixasse solitários na culpa herdada de seus pais. E o sueco, com cidadania inglesa, que vende proteção ecológica que não fornece? Os incautos europeus contribuem com trinta e cinco libras para proteger um acre, recebem um folder com benefícios que os arrecadadores teriam feito aos nativos, mas quando se vai pesquisar o que se vê é um mateiro sozinho "fiscalizando" centenas de milhares de hectares em troca de meio salário mínimo brasileiro. Quanto sobra de mais-valia em cada contribuição? Assim, até brasileiro analfabeto viraria milionário.
Parece que são dois os mitos que caem no limiar do século: o do bom selvagem, e o do europeu honesto.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

LUCAS E O PÉ DE FEIJÃO

Meu neto colheu o seu feijão. Está todo contente. Ele tem quatro anos. Um dia, na sua escola, a professora ensinou as crianças a plantarem cada uma sua semente de feijão em algodão úmido. Quando a semente se abriu e a plantinha surgiu, ele a olhava com a mesma interrogação que as crianças olham os passes de mágica. Entusiasmado, replantou-a num pequeno canteiro de flores no quintal. O tempo passou e, ontem, lá estava ele, compenetrado e feliz abrindo as vagenzinhas secas e retirando as novas sementes, saudáveis, brilhantes e bonitas. Separou as poucas que não vingaram, dizendo, em sua inocência: "Estas não cresceram; mas ainda vão crescer". Outras ele usou numa nova semeadura, no mesmo canteiro, antevendo o milagre da terra multiplicá-las por duzentos. A produção apurada deu metade de uma tigelinha dessas usadas prá sobremesa, que ele entregou à vovó: "(como se fala em japonês), você cozinha prá mim?"
Ante as notícias de escassez de alimentos eu vejo brotar a esperança quando um garotinho de quatro anos consegue produzir seu almoço.

terça-feira, 27 de maio de 2008

PRÁ QUEM LEU "GRANDE SERTÃO - VEREDAS"
(leitura imperdível)

ELE

Ele era carne muita e calor bravo
Brasa quente que enfrenta orvalho frio
Na peleja derrubando ente pravo
Atravessa em si mesmo o baldo rio

Grande sertão, veredas, fundo cavo
Vence fugindo sempre de desvio
Permanece de estranho amor escravo
Dor índia que ilaqueia o desafio

Não fosse sua gente tão confusa
Não fosse ele tão cego de conceito
Na certa soltaria a fala oclusa

E invés de a bala abrir para o desfeito
Buscava além da imagem sua musa
Explodindo a paixão dentro do peito.

João Donha – anos 90.
MAIS UM POUCO DE POESIA

ECLESIASTES

Vaidade de vaidades, disse o Eclesiastes.
Que proveito tiras tu, ó trabalhador,
Do trabalho com que sempre te desgastaste
Debaixo do sol, a não ser a tua dor?

O sol nasce todo dia e torna a se por
Uma geração vem, outra geração parte
Por mais que pense não se livra do Criador
Filosofia, religião, ciência e arte.

Na calha do tempo se esvai inveja e amor
Seja puro ou pecador, não ilude a sorte
A tragédia com mais furor atinge o forte.

E por mim, que se dane burro ou pensador
Tudo é vaidade, pois que seja como for
Sábio e insensato encontram a mesma morte.

João Donha – anos 90.
POVO, UM MERO DETALHE

É incrível a falta de auto-crítica das elites brasileiras. Como elas se esforçam, ainda que inconsciente, ou, até, atavicamente, para alijar o povo dos processos legislativos ou decisórios. Não me refiro apenas a elites econômicas. Refiro-me a essas e, também, a lideranças sindicais; a políticos, mesmo egressos das camadas mais pobres; a funcionários públicos e militares; enfim, a qualquer um que tenha poder sobre a população; ou poder maior que a população. O exemplo principal é o próprio processo constituinte: cada vez menos democrático com o passar do tempo. Sim, porque o de 1986 afastou o povo do debate muito mais que o de 1946. E, de forma disfarçada; o que o torna pior do que o abertamente autoritário de 1967. Em 1986, as elites, ao invés de convocarem uma assembleia constituinte que realmente passasse o país a limpo, preferiram dar poderes constituintes a um congresso eleito da mesma forma que sempre: currais eleitorais, trocas de favores, parlamentares que aprovariam o orçamento. Enfim, tudo o que desmotivasse e afastasse o povo do debate sobre leis, na hora de escolher seu candidato. Alem de ilegítima e refém de interesses corporativos, a constituição ficou vulnerável a fraudes (ver: http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/fraudeac.html). Para completar a ilegitimidade, com medo do retorno dos militares, outorgaram a constituição sem aprovação em referendum popular. Já discuti este assunto exaustivamente na maior praça pública da nossa atualidade, o site de relacionamentos Orkut, na comunidade "Revitalização da Lei no Brasil", tópico "A Constituição é ilegítima".
Aqui, porem, pretendo me referir a acontecimentos mais recentes. Ao esvaziamento do legislativo. Ou, melhor, ao auto-esvaziamento. O povo elege seus deputados e senadores para elaborarem e aperfeiçoarem constantemente as leis que nos dirigem. E o que fazem os senhores senadores e deputados? Delegam cada vez mais poderes legislativos aos juízes do supremo, que não foram eleitos com nenhum voto popular. O legislativo é a caixa de ressonância dos anseios populares. Os interesses da população devem ser ali debatidos até que, por votação, decidam o que e como se transforma em leis. Os senhores juízes que passem daí a julgar conforme essas leis; ou seja, conforme a vontade soberana da população. A decisão da maioria dos legisladores, deveria ser a decisão da maioria da população. Mas, na prática, o que vem acontecendo? A minoria derrotada recorre ao supremo tribunal, e um punhado de homens e mulheres que não representam efetivamente os desejos e anseios da população, serão os autorizados a legislarem. Como todo poder vicia e cega, já podemos ver os juízes se arrogando o direito legislativo, como fez o chefe do supremo no recente episódio do ressuscitamento da cpmf (poucos gostariam de ter aumento de impostos; mas, compete ou não ao povo a decisão?): "por qualquer meio que o congresso recrie a cpmf, será questionada aqui no supremo". Ou dando a senha para que a oposição impeça as obras do pac na justiça; julgando antecipadamente.
Só seremos um povo livre quando retirarmos das mãos de cocheiros espúrios as rédeas de nosso destino.
Deveríamos construir uma democracia direta, onde assuntos como pesquisas com células tronco embrionárias ou criação de impostos, seriam objetos de plebiscito!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

DEUS, UM DELÍRIO?

No prefácio do livro “Deus, um delírio”, do Richard Dawkins, ele escreve: “Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”. Desafio tentador. Mas, há um erro na pretensão. É possível ser teísta e não-religioso. Ou, é possível abrir o livro como teísta e religioso, e terminá-lo não-religioso, não obstante, continuar acreditando em Deus. Eu mesmo, abri o livro sendo, de certa forma, ateu; pois, não acredito em nenhum dos deuses, ou das concepções de Deus que por aí existem. Não acredito nem mesmo na ausência de Deus, dos budistas. Nem no Deus de Spinoza. Não acredito que Deus tenha dito a Moisés, Maomé, Lucas ou Mateus, qualquer coisa que não tivesse dito também a mim. Por isso, creio em Deus à minha maneira. À maneira da minha ignorância. Pois, não sei como ele é, nem o que realmente quer, ou o que pretendeu fazendo o mundo, se é que o fez. No entanto, creio o suficiente para me encontrar esgrimindo contra ele, na torre, nos momentos de revolta ou dúvida. Ou para encontrar consolo numa prece, nos momentos de angústia e dor. Como nada sei sobre ele, não acredito que alguém o saiba e possa me ensinar, por mais velhos e sacralizados sejam seus escritos. Também não aconselho a ninguém crer à minha maneira: somos iguais, cada um erre por si. Ou deslize em seu próprio delírio, pra usar a visão do autor. Na verdade, o que Dawkins conseguiu combater muito bem não foi a idéia de Deus; foi a religião. Principalmente a religião organizada, que é o cadáver da religião. E foi um bom e útil combate; por isso recomendo a leitura do livro. De minha parte, posso assegurar que li e fiquei convencido de que Deus existe, mas está muito mal representado na Terra.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A CONSTITUIÇÃO E A MACONHA

E foi Deus quem fez nossa constituição? Porque, por certo, o povo é que não foi, alijado que estava do debate direcionado apenas para a formação de um congresso com poderes de influir na distribuição do orçamento, na construção de asfaltos e pracinhas, mas cujos membros iriam cunhar as tábuas da lei maior. Participei de um circo de lonas que alguém armou numa praça para reunir cidadãos e motivá-los à discussão do que se deveria colocar como lei: se havia meia dúzia de gente era muita. Os demais, estavam ocupados em oferecer seus votos aos candidatos que nem pensavam nas leis necessárias, mas, por certo, tinham telhas para os barracos ou cabides vagos de empregos para distribuir. Uma vez eleitos e constituídos, ficaram, os constituintes, reféns da sociedade organizada - eufemismo para corporações -, enquanto que a maioria de nós, indivíduos que têm afazeres e integram a sociedade desorganizada, ficamos órfãos de leis e de liberdade. E, se vi acontecer isto comigo e meus conhecidos, imagine o que não houve com uma plantinha sem consciência, que não sabe nem se existe e prá que existe, mas se vê ameaçada de extinção pela lei dos homens. Esta plantinha sim, com certeza, criada por Deus, que talvez a quisesse como refrigério às vítimas de doenças e tratamentos agressivos, ou para que todos com ela fizessem cordas; mas que acabaram por amarrar-se em proibições e transgressões, num mercado desesperado e violento. Quanto mais proibições, mais transgressões a exigirem mais repressão; e, assim, ganham os que mercadejam a transgressão, mas garante-se o emprego de quem vive da repressão. E a constituição, com mais cláusulas pétreas que as pedras de Hamurabi ou das Doze Tábuas - que eram todas pétreas -, sob o temor de um retorno que impediu até sua submissão a um referendum popular que lhe desse a legitimidade perdida no processo elitista de elaboração, continua, petreamente, sem poder ser questionada pela população, e, portanto, sem poder ser alterada pelo cidadão. Pelo menos foi a desculpa que um integrante da corporação mais beneficiada pela carta deu para proibir a marcha da plantinha: "não podemos cair na anarquia; essa discussão é para ocorrer no congresso, não nas ruas". Estranha democracia, onde a lei não é feita pelo povo e para o povo, que não pode discutí-la nas ruas, mas por quem recebe, sem discussão - ou sob restrições do que pode ou não ser discutido -, uma procuração assinada pelo digitar de alguns números numa caixinha eletrônica. Numa democracia de verdade, os constituintes deveriam receber uma procuração para elaborar as leis, não para outorgá-las; a aprovação final deveria ser feita por quem de direito, através de um referendum.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O MUNDO DÁ VOLTAS

O mundo dá voltas, sabem os físicos há muito tempo. E aprendem os que nem se importam com a matemática. Um órgão da ONU, certamente composto por pessoas que lá estão garantindo altos salários, deu chute em cachorro morto, apressando-se em desgrudar sua imagem do Ronaldinho logo após o escândalo, ainda fumegante, dos travestis. Isto, depois que o moço, a pedido do próprio secretário-geral participou de inúmeras campanhas humanitárias daquele órgão. São voltas do mundo. Ronaldo também, se já não chutou cachorros mortos, os chutou bem agonizantes. Num entrevero, preteriu Cicarelli em favor de um cára nada travestido que lhe disputava a atenção, ostentando um "enfeite" (lembram do Soylent Green?) que era desafeto dela. Logo depois, quando o presidente Lula, acossado por inúmeros escândalos e cpi's, disputando uma desgastante reeleição, fazendo a rotineira relações públicas do presidente em vésperas de copa de mundo, resolveu externar uma brincadeirinha inocente que grassava em todo o país a respeito do peso do Ronaldo, levou em troca uma agressiva e arrogante alusão àquela reportagem apócrifa sobre a cachaça. O próprio interlocutor do presidente na ocasião, o Parreira, gostou de dar seus chutinhos. E, logo num presidente democrático como o Lula. Admiro a coragem de quem chuta pitbuls ou rotivailes em pleno vigor, como o Saldanha fez com o Médici. O presidente mais temido e incensado da nossa história; que autorizava prisões arbitrárias, massacres em câmaras de tortura, e dava-se ao luxo de dizer que era acidente de trabalho quando um torturado morria nas garras de um torturador. Pois bem, esse Médici, acostumado a ver seus desejos atendidos como lei, e os apresentadores de televisão apresentarem seu retrato colorido como luxo, manifestou o desejo de que um jogador, certamente afilhado seu, integrasse a seleção de 70, sob direção do João Saldanha. Este, comunista de quatro costados, respondeu a frase famosa: "O presidente escala o ministério; eu escalo a seleção". Foi demitido no outro dia, com as honras da presença policial em pleno treino. Daí, o Parreira, quando soube que o Lula, falando não como presidente e sim como torcedor, sugeriu um craque, repetiu garboso, sentindo-se um herói, a frase do Saldanha, sem dar o devido crédito da autoria. E os jornalistas presentes, na certa jovens que não conheciam o passado, regalaram-se com a falácia do técnico. Bem disse o Marx, que os fatos históricos costumam acontecer duas vezes: na primeira como tragédia, na segunda como comédia. Logo com Lula, que deixa o Morales mijar no seu sapato, o Chavez desmanchar seu cabelo como se faz com meninos, o juiz dizer que a oposição pode mandar processos que serão bem recebidos no tribunal, o militar criticar políticas indígenas, e continua fazendo humildemente seu trabalhinho econômico, que é só o que a constituição corporativista do país lhe permite fazer. O mundo dá voltas. Quem chuta cachorro morto, encontra seu fila pela frente. Um dia a unicef vai encontrar o dela.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

ANTROPOLOGIA E LIBERDADE

Não se trata de idéia fixa, mas de novo ocorreu-me uma dificuldade no ponto de equilíbrio. Desta vez é entre a preservação da cultura indígena e o congelamento daqueles indivíduos numa situação de escravidão. Se não é de escravidão, é muito parecida. Pelo menos é o que me ocorre quando vejo aqueles índios comportados, nus ou semi-nus, cantando, dançando, caçando, e cozinhando em suas choças, quando sei que seus caciques e pajés têm aviões e cercam-se de equipamentos de última geração. Preservar suas culturas não equivale a preservar suas religiões? Teríamos sido todos nós, que nos chamamos civilizados, beneficiados se preservassem nossas religiões? Como seria se alguns antropólogos extra-terrestres nos tivessem convencido a permanecermos apedrejando amores clandestinos na palestina, ou torturando e sendo torturados por inquisidores medievais, com a desculpa de preservar nossa cultura? Afinal, não posso deixar de notar que quem crucificou Jesus foram os pajés, com apoio dos caciques, para que ele não alterasse a ordem vigente, que, obviamente, trazia inúmeras vantagens a eles. Também a inquisição, sem dúvida, foi criada e mantida pelos pajés, de novo com apoio dos caciques, a fim de manter a população quieta e disciplinada, curtindo sua cultura, enquanto eles se mantinham no poder e usufruíam de suas vantagens. Portanto, temos que encontrar o ponto de equilíbrio que nos impeça de desfigurar o índio, transformando-o em um "civilizado" miserável, mas, ao mesmo tempo, não impedí-lo de seguir seus caminhos, traçados pelas suas vontades individuais, livres e soberanas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

RIO TEMPO

Eu estou num corpo, que está num barco, que desce um rio.
Saí da fonte para a foz, e estou em meio do caminho.
Para mim, a fonte é o passado e a foz é o futuro.
Se paro ou me volto as coisas se invertem.
Pois a fonte tem águas que ainda não vi,
o que faz que elas sejam o futuro,
enquanto que a foz são águas passadas.
Mesmo quando me movo ao longo do rio,
tendo a fonte como passado,
lá estão surgindo novas águas;
portanto, em meu passado surgem novidades.
Mas as novidades não são coisas do futuro?
Se o futuro é a foz, suas águas podem ter passado por mim;
então meu futuro é conhecido, pois é feito de águas passadas.
Oh, meu Deus, minha vida gira como as voltas deste barco,
tendo o passado e o futuro sempre no presente.
20.2.07

domingo, 20 de abril de 2008

Criminalidade e midia

Não é fácil encontrar um ponto de equilíbrio. Um fato incontestável é que nada deve ficar escondido; tudo deve ser revelado. Mas, entre revelar um fato, ou seja, informar, e aproveitar oportunidades criando sensação que alavanque audiências, deve haver um ponto de equilíbrio. Ouvi uma vez que o saudoso Samuel Weiner, na distante década de 50, quando dirigia o jornal Última Hora, de circulação nacional, notou que ao ser noticiado em primeira página um determinado crime ocorrido no Rio, na mesma semana o crime se repetia em outras capitais do país. Determinou, então, aos seus redatores, que não colocassem chamadas das notícias de crimes na primeira página. Atitude ética. O recente caso da menina Isabela elevou a audiência dos telejornais em 46%. Em alguns casos, o destaque dado a certos crimes ocorridos no eixo Rio-São Paulo, permite-nos profetiza-los nas demais capitais e centros menores do país nos dias subsequentes. Em outros casos, a insistência com que exploram o caso, leva a sociedade a um estressamento que anestesia a capacidade de indignação, tendo como conseqüência a vulgarização da violência. Mas, é incontestável que nada deve ficar escondido: tudo deve ser revelado. E não é fácil encontrar um ponto de equilíbrio.